A carreira

Fiz toda a minha carreira de voo na mesma companhia: 15 anos na LATAM. Foram 14 deles como chefe de cabine — liderando equipe em operação real, com decisão sob pressão — e 7 anos em voos internacionais de longo curso, que é a operação mais exigente da companhia.

Dentro da empresa, também formei gente: os comissários que entravam, os novos chefes de cabine e os instrutores que estavam assumindo a função. Ou seja, vivi o processo seletivo dos dois lados da mesa. Primeiro sendo avaliado. Depois avaliando, treinando e decidindo quem estava pronto.

A descoberta que mudou o meu trabalho

Quando entrei na companhia, percebi uma coisa que eu não esperava: o que a empresa esperava de mim não era o que eu tinha aprendido no curso de comissário.

O curso é uma formação técnica, e ele ensina a reagir: se pegar fogo, como apagar; se alguém passar mal, como socorrer; se cair na selva, como sobreviver. Tudo isso é o que fazer depois que o problema aconteceu.

Só que a companhia queria outra coisa. Queria prevenção — agir antes, para o problema não acontecer — e queria cuidado com o relacionamento com o cliente, porque o comissário faz parte do time comercial da empresa.

A formação de comissários não está errada. Ela está incompleta.

E é essa lacuna que explica tanta gente tentando entrar no mercado enquanto estuda o assunto errado: os temas técnicos do curso, ou assuntos superficiais sobre a profissão. Nada disso é o que a seleção investiga. A seleção investiga se você tem os comportamentos de quem previne e os comportamentos esperados de quem cuida do cliente de uma companhia aérea.

O que eu faço desde 2010

Desenvolvi uma metodologia para preencher exatamente essa lacuna, e ensino ela desde 2010 a quem está indo para processo seletivo. Não substituo a formação técnica: eu completo o que falta nela, e entrego a pessoa muito mais completa ao mercado.

Em 2022 comecei a registrar os resultados de forma organizada. É dessa contagem que saem os 260 aprovados até agosto de 2026.

Por que aprovar não pode ser a sua meta

Pense num jogador de vôlei que quer ser campeão do mundo. A meta dele é ser campeão? Não. A meta dele é acertar todos os saques, cortar com a direita quando ataca pela direita, ler o movimento do adversário para bloquear. Se ele ficar bom em tudo isso, o título vem — como consequência.

Com a seleção é igual. Ninguém treina "ser aprovado". Você treina prevenir, decidir sob observação, se relacionar, sustentar postura sob pressão. A aprovação é a consequência de ter ficado bom exatamente naquilo que está sendo avaliado. É essa a diferença entre quem tenta de novo e quem passa.

Quem já passou por aqui

A prova que eu prefiro mostrar não sou eu falando: são eles. No podcast Como Conquistei Minhas Asas já são 56 entrevistas com comissários e comissárias aprovados, contando a própria seleção — o que deu errado antes, o que mudou, e como foi o dia da aprovação. Cada episódio dura cerca de uma hora, de cara, sem roteiro.

Assistir às entrevistas no YouTube

Onde eu escrevo sobre isso

Publico aqui o que aprendo atendendo aluno, uma sessão por vez. O que está no site não é teoria de manual — sai das revisões, das simulações e dos debriefings que faço individualmente: